Bill Ackman quer o Universal Music Group. Cyrille Bollore diz inferno, não.
E honestamente? Você pode ver o porquê.
O CEO do Grupo Bolloré não mediu palavras na assembleia anual de acionistas. Ele basicamente disse a Ackman para fazer uma caminhada, apresentando três objeções que fazem com que a proposta de um bilhão de dólares pareça, na melhor das hipóteses, instável. Primeiro de tudo: o preço. Não está lá. Bolloré foi direto, quase entediado com a pergunta.
“Achamos que o preço não está aqui.”
Simples. Direto. Devastador.
Depois, há a fonte de dinheiro – ou melhor, a falta do dinheiro do próprio Ackman na equação. Bollore apontou para o elefante na sala de reuniões. Ackman não está pagando com seu cofrinho pessoal. Ele está usando capital próprio da UMG. Parece circular. Oco. Como disse Bollore, é dinheiro da empresa, não dinheiro da Pershing Square.
“Ele não está fazendo uma oferta com seu próprio dinheiro.”
Depois vem o choque cultural. Esta é a parte complicada.
Ackman administra um fundo de hedge. Ele é abrupto. Ele se move rápido. Bollore sugeriu que esse temperamento é fundamentalmente incompatível com o gerenciamento de um enorme império musical legado como a Universal.
“Não tenho a certeza se ele é compatível”, observou Bollore, destacando que Ackman é demasiado perspicaz, demasiado rápido para a natureza lenta da visão estratégica de longo prazo.
Essencialmente, ele próprio vetou o acordo. Ele encorajou a administração a rejeitar a oferta. Para todos os efeitos, é rejeitado.
Ackman percebe que tem todas as cartas sem que o jogador as tenha? Ele admitiu isso, observando que sem Bollore não há transação. Isso torna o veto de Bollore absoluto. Não é apenas uma preferência. É um portão.
Vejamos os números, já que o dinheiro costuma falar mais alto que o estilo.
A Pershing Square avalia a UMG em aproximadamente US$ 64,4 bilhões. No papel, isso parece enorme. Representa um prêmio de 78% sobre o preço de fechamento do início de abril. Os acionistas receberiam cerca de US$ 10,85 bilhões em dinheiro vivo. Mais 0,77 de uma nova ação para cada ação da UMG que detêm atualmente.
Há também a peça de realocação. Ackman quer transferir a listagem primária da UMG de Amsterdã para os Estados Unidos. O argumento é a lógica padrão de Wall Street. Mova-o aqui. Obtenha mais investidores institucionais. Melhor liquidez. Linhas mais limpas.
É um argumento justo. Tecnicamente.
Mas Bollore vê além da liquidez. Ele vê a estrutura. Ele vê o dinheiro vindo de sua própria empresa.
Então, quem está certo? Ackman vê um activo em dificuldades pronto para uma reestruturação ao estilo americano e uma extracção massiva de valor. Bollore vê um predador usando seu próprio gado para alimentar o açougueiro.
O preço é alto. Mas para alguns, o valor não é apenas um número numa tela. É uma questão de controle. E agora, o cara que está com as chaves pensa que Ackman não sabe dirigir.
A oferta está na mesa. Não pago. Não aceito. Esperando apodrecer ou esperando que Ackman reescrevesse os termos.






























