Dirigi até Mountain View esperando barulho. O tipo de exagero alto e polido que abafa o pensamento real.
Foi meu primeiro Google I/O. Quatro dias atrás.
Com certeza. O evangelho do “agente em primeiro lugar”. O palco brilhante. Mas por baixo do verniz. A cidade parecia dividida.
Dentro? Brilho. Executivos vendendo hacks de viagens. Planejadores de IA agendando festas perfeitas. Parecia fácil. Parecia rico. Fora? A fila para um passeio compartilhado andava devagar. O ar estava pesado com outra coisa. Pragmatismo.
Meu motorista me pegou no aeroporto. As ruas de Palo Alto ficaram borradas. Perguntei sobre a vida na cidade. Ele mencionou que tinha acabado de pegar o machado. No Google.
Educado. Quieto. Ele falou sobre dirigir em tempo integral agora. Apoio familiar. Sem raiva. Apenas a realidade de sobreviver após as demissões. Então ele perguntou sobre a tecnologia. Sobre a inovação que todos divulgavam dentro daquelas tendas.
Isso ficou comigo. Um custo humano em um cenário de marketing aspiracional. No palco, o 1% estava sendo atendido. Fora do palco, as pessoas tentavam pagar o aluguel enquanto a inflação aumentava.
Para quem é essa tecnologia?*
Essa é a questão.
Andrew Lanxon acertou em cheio no início desta semana. Ele destacou a vibração estranha dos anúncios presumindo que estamos todos em forma, somos jovens e obscenamente ricos. Paris Hilton apareceu porque… por que não?
Parece alienante. O marketing deve expandir sua imaginação. Não fazer você se sentir inadequado por existir em um mundo sem milhões de dólares em sua conta bancária.
Levei essa tensão para Sameer Samat. Ele é presidente do ecossistema Android do Google. Nós nos sentamos.
Perguntei-lhe à queima-roupa sobre a reação. A sensação de que essas coisas não são para pessoas normais.
Sua resposta foi firme. Intencionalidade. Essa é a palavra-chave. Tornando a tecnologia acessível. Útil na rotina diária. Não apenas brinquedos brilhantes.
Com o Android 17 chegando. O objetivo é o tempo. Devolva o horário às pessoas.
Samat deu exemplos. Os aterrados. Usar óculos XR para consertar um ar condicionado em vez de ler um manual. Ajudando na montagem do IKEA. Ajuda com lição de casa. Isso ressoa. Eles resolvem problemas. Problemas reais.
Então. Onde foram esses momentos durante a palestra?
Perdido.
As equipes de produto constroem para utilidade. O marketing cria maravilhas. Eles puxam em direções diferentes. Fica confuso. Para qual público você está falando?
Talvez haja três soluções. Mudanças simples.
- Pare as montagens. Escolha um problema concreto. Mostre de ponta a ponta. Uma enfermeira acessando as anotações do paciente com as mãos livres. Um pai consertando um vazamento. Histórias verossímeis superam os filmes de férias. Toda vez.
- Traga humanos reais. Corte as celebridades. Convide alguém que use essa tecnologia em seu trabalho. Um mecânico. Um professor. A autenticidade constrói confiança melhor do que qualquer ator.
- Fale sobre dinheiro. Se custa muito. Diga. Combine-o com planos de troca. Parcerias comunitárias. Caminhos acessíveis são importantes.
Saí com sinais confusos.
A narrativa errou o alvo. Ignorou a realidade da maioria de nós. Os engenheiros demitidos. Os motoristas. O resto de nós vive com essa tecnologia.
Consertar o mundano também é poderoso. Talvez até mais do que o deslumbrante. Fundamentar a narrativa ajudaria. Seria honesto.
Menos fantasia. Vida mais comum.
O Google já entendeu?
Talvez não hoje.






























