Donald Trump costumava chamar a criptografia de “fraude”. Agora? Isso lhe rendeu mais de US$ 1 bilhão.
O número veio de um enorme relatório de 927 páginas divulgado pelo Escritório de Ética Governamental dos EUA. Desnuda as negociações comerciais do presidente e de sua família.
Juliana Stratton, vice-governadora de Illinois, chamou isso de “ganância infinita”. Ela diz que ele usa o escritório enquanto as famílias passam fome. A Casa Branca recua, alegando que tudo é feito no melhor interesse da América. Mas a matemática é difícil de ignorar.
Dinheiro Digital, Dinheiro Real
A criptografia não são apenas moedas mágicas da Internet. É um código. O dinheiro tradicional vem dos bancos centrais. A criptografia vem de algoritmos, às vezes administrados por empresas, às vezes por ninguém. As transações vivem em blockchains. Registros imutáveis. Bitcoin é o famoso, descentralizado, sem master. Mas existem milhares de outras em redes como a Ethereum. As empresas privadas os emitem para obter lucro. Qualquer coisa codificável torna-se um ativo. Valor opcional.
Os Três Baldes
O dinheiro de Trump flui de três grupos específicos: $TRUMP o memecoin, WLFI o token de governança e USD1 o stablecoin.
Memecoins são economias de pura atenção. Comprá-los é como pagar pelo rabisco de uma criança porque seu filho o desenhou. Stablecoins espelham dinheiro fiduciário. USD1 está atrelado ao dólar americano. Precisa de apoio. Geralmente títulos do governo. Tokens de governança, como WLFI, permitem que você vote em projetos. Eles lhe dão voz, não uma participação nos lucros. Não é realmente propriedade.
A Máquina em Movimento
O memecoin $TRUMP foi lançado poucos dias antes da inauguração de 2025. As empresas de Trump detêm cerca de 80% da oferta. Eles cobram uma taxa em cada troca. Pura arbitragem de hype. Depois, há a World Liberty Financial. A família foi cofundadora em 2024, detendo cerca de 60%. Eles têm direito a 75% dos rendimentos. Os números são surpreendentes. Somente a World Liberty arrecadou US$ 500 milhões. O memecoin adicionou outros US$ 600 milhões. A Forbes estima que seu patrimônio líquido saltou para US$ 6 bilhões em um ano.
Como?
Vejamos USD1.
Funciona de forma simples. Você dá dólares ao emissor. Eles te dão um token. Eles estacionam os dólares em títulos do Tesouro dos EUA. Eles coletam juros. Quanto mais tokens forem vendidos, mais títulos comprados e mais juros serão ganhos. Binance, a grande exchange anteriormente condenada por lavagem de dinheiro, ajudou a escrever o código para USD1. Então o MGX, um fundo estatal de Abu Dhabi, investiu US$ 2 bilhões em US$ 1 na Binance. Isso criou US$ 2 bilhões em reservas. No valor de US$ 80 milhões em juros anualmente.
A Binance detém 87% de todos os tokens de USD1.
É coincidência?
A SEC desistiu do processo contra a Binance logo após listar USD1. Em outubro, Trump perdoou o fundador da Binance, Changpeng Zhao. Relatórios dizem que Sheikh Tahnoon, o funcionário dos Emirados Árabes Unidos por trás da MGX, comprou secretamente 49% da World Liberty por US$ 500 milhões dias antes da inauguração.
O negócio do memecoin é ainda mais sombrio. Especialistas jurídicos veem isso como um canal para presentes anônimos. Os compradores pagaram US$ 148 milhões apenas para comprar assentos no jantar com o presidente. Desde então, o preço da moeda desabou, caindo 98%, mas as taxas permaneceram. Uma investigação da Reuters descobriu que os quatro empreendimentos criptográficos de Trump ganharam US$ 2,3 bilhões. Quase exatamente o que os investidores perderam.
Regras quebradas
A administração aprovou a Lei GENIUS. Isso traz clareza. Bom para a estabilidade da indústria. Mas a credibilidade está evaporando. Favores especiais substituem as forças do mercado. O precedente é assustador. Se você quiser acesso presidencial, basta comprar o token. A reputação dos EUA em matéria de Estado de direito está em jogo, pendurada numa cadeia de transações questionáveis.
A questão permanece.






























