Você provavelmente já viu isso acontecer. Você pesquisa tênis de corrida às 23h. Ao meio-dia do dia seguinte, todos os feeds de mídia social estão saturados de anúncios exatamente desses tênis. Parece mágica. Parece conveniente. Algumas pessoas até gostam disso, confiando que o algoritmo as conhece melhor do que elas mesmas.
Mas há um lado mais sombrio nessa conveniência.
Especialistas em privacidade argumentam que os grandes gigantes da tecnologia – especificamente Google, Microsoft e Apple – estão silenciosamente construindo enormes dossiês sobre nós. Eles não estão apenas rastreando o que você compra. Eles estão compilando dados confidenciais sobre suas finanças. Seu histórico médico. Suas inclinações políticas. Sua religião. Tudo isso está sendo registrado.
Os riscos são reais. Violações de dados acontecem. Ocorrem hacks. Essas informações podem ser compartilhadas com agências de inteligência do governo ou intimadas em tribunal. Pode ser usado para influenciar suas opiniões antes mesmo de você perceber o que está acontecendo.
“Os modos de privacidade são ótimos para o marketing”, diz Robert Beens, CEO da Startpage. “Mas eles não fazem muito pela nossa privacidade. Essa é a realidade.”
O público sabe disso. Uma pesquisa do Pew Research Center de 2019 revelou que 81% dos americanos acreditam que os riscos da coleta de dados superam os benefícios. Mais de 60 por cento sentem-se impotentes, acreditando que é impossível viver a vida quotidiana sem que o governo ou as empresas recolham dados sobre eles.
Existem maneiras de revidar. Uma das mais fáceis é mudar para um navegador dedicado à privacidade.
A Ilusão do Modo Incógnito
Para entender a solução, você precisa entender o problema. Um navegador da web é apenas um software. Ele permite que você acesse a internet. Você faz login. Você assiste aos vídeos. Você clica em links.
O Chrome dominou o mercado em 2021, com 64% de participação global. O Safari ficou em segundo lugar com 19 por cento. O Firefox detinha 3,3 por cento. Edge tinha 3,2 por cento. Todos esses navegadores usam mecanismos de busca como Google, Bing ou Yahoo! para encontrar coisas para você.
Quando você compra um novo dispositivo, raramente escolhe seu navegador. Os dispositivos Apple vêm com o Safari pré-carregado. Os telefones Android geralmente vêm com o Chrome. Esses gigantes oferecem “recursos de privacidade”. O Chrome tem modo de navegação anônima. Safari tem navegação privada.
Eles parecem seguros. Eles não são.
Robert Beens, cofundador e CEO da Startpage, chama esses modos de armadilha de marketing. O modo de navegação anônima não oculta sua atividade do próprio navegador. Não o esconde do provedor de serviços de Internet. Não o esconde dos sites que você visita.
Ele apenas oculta seu histórico da próxima pessoa que se sentar em frente ao seu computador.
O navegador ainda vê tudo. Ele ainda registra detalhes de identificação de cada pesquisa. Ele ainda envia dados de volta para a empresa proprietária do navegador.
Se você deseja privacidade real, precisa de mais do que uma janela privada. Você precisa de uma ferramenta totalmente diferente.
Mudar para um navegador focado na privacidade é sem dúvida a vitória mais rápida para sua pegada digital. Demora menos de um minuto. O Firefox da Mozilla é um padrão sólido aqui. Ele se recusa a acumular seu histórico ou logins. Ele vem com bloqueadores de anúncios e um “escudo invisível” que bloqueia ativamente os rastreadores. Você pode até pegar uma extensão para tornar os esforços de rastreamento do Facebook significativamente mais difíceis.
Mas o Firefox não é o único player.
Vivaldi, Tor, Brave e Waterfox estão todos no ringue. Waterfox tem um pedigree específico – é propriedade da System1, empresa controladora da HowStuffWorks. Esse é um detalhe que vale a pena observar se você se preocupa com a web corporativa por trás das ferramentas que usa. Depois, há o DuckDuckGo, que preenche a lacuna entre o navegador e o mecanismo de pesquisa.
Como os mecanismos de pesquisa anônimos quebram a bolha dos filtros
Jan-Peter Beens, fundador da Startpage, argumenta que sua plataforma oferece a experiência de Internet mais segura disponível atualmente. O mecanismo é específico e um tanto contra-intuitivo. O Startpage mantém um relacionamento único com o Google.
Aqui está o fluxo:
1. Você pesquisa no Startpage.
2. O Startpage remove seus dados de identificação.
3. Envia uma consulta anônima ao Google.
4. O Google retorna resultados.
5. O Startpage os passa para você.
Não sobraram cookies. Seu histórico não é salvo ou vendido. Terceiros não podem atingir você com base nessa consulta.
Não se trata apenas de ocultar seu endereço IP. Trata-se de resultados imparciais. Beens ressalta que quanto mais um mecanismo de pesquisa sabe sobre você, mais ele distorce os resultados de acordo com suas preferências existentes. Esta é a “bolha do filtro”.
Se você pesquisar “Egito” no Google, poderá encontrar locais de mergulho no Mar Vermelho porque o Google sabe que você adora mergulho. Um estudante de ciências políticas pode receber notícias sobre disputas fronteiriças. Os resultados são “personalizados”. Mas eles não são neutros.
“Os resultados da pesquisa nem sempre são resultados verdadeiros”, diz Beens. “Porque os motores de busca muitas vezes colocam você em uma bolha.”
Para sair, é necessária uma ferramenta que forneça resultados absolutamente imparciais. O Startpage pretende fazer exatamente isso, agindo como um intermediário cego.
Os limites das ferramentas de privacidade
Essas ferramentas têm tetos rígidos. Eles não podem protegê-lo em sites onde você realmente faz login. Depois de digitar suas credenciais, você confirma sua identidade. O navegador não pode esconder isso do próprio site.
Existem compensações. Recursos de privacidade custam poder de processamento. Alguns navegadores privados parecem mais lentos. Eles são mais pesados.
A qualidade da pesquisa também varia. O Startpage depende da infraestrutura do Google, por isso tem acesso a um poder de pesquisa de nível gigante. Mecanismos privados menores e independentes geralmente não possuem o tamanho do índice para lidar com consultas de nicho de maneira eficaz. Você pode obter um resultado relevante em um minuto e uma página morta no minuto seguinte.
Beens sugere que a questão central é a conscientização. A privacidade na Internet não envolve apenas a higiene de senhas ou o bloqueio de anúncios de terceiros. Trata-se de reconhecer a manipulação.
As empresas de tecnologia querem mantê-lo em seus ecossistemas. Eles usam câmaras de eco para conseguir isso. Você vê mais daquilo com que já concorda. Suas impressões reforçam. Isto alimenta a polarização que vemos globalmente, particularmente nos EUA.
“A privacidade na Internet é muito mais importante do que fechar as cortinas à noite”, diz Beens.
O problema do monopólio
Por que isso importa tanto? Porque o mercado está consolidado.
Em 2021, o Google detinha 92,2% da participação no mercado mundial de mecanismos de busca. Isso é um monopólio em quase todas as definições. O Bing ficou atrás com 8%. O Baidu, na China, tinha 7,3%. O Yahoo ficou com 3,4 por cento.
Quando uma empresa controla quase 95% das pesquisas, ela controla o fluxo de informações. Ele decide o que é proeminente. Ele decide o que está enterrado. Mecanismos de pesquisa privados como o Startpage existem para oferecer uma gama de opções em um mar de uniformidade.
Perguntas Frequentes
Qual mecanismo de pesquisa privado é realmente privado?
Nenhuma ferramenta é perfeita. No entanto, DuckDuckGo e StartPage são amplamente considerados as opções mais próximas das verdadeiramente privadas para usuários comuns.
Como faço para pesquisar de forma totalmente privada?
Usar uma janela de navegação privada ou modo de navegação anônima evita que seu navegador local salve o histórico. No entanto, não oculta a sua atividade do seu ISP ou dos sites que você visita. Para o verdadeiro anonimato, você precisa de um mecanismo de pesquisa privado dedicado como os mencionados acima.



























