Os cientistas fizeram isso. Eles viram uma atmosfera. Em um planeta rochoso. Distante.
Este é o grande momento que todos na astrobiologia esperavam. Um marco importante. O tipo de descoberta que faz você verificar o feed de notícias duas vezes para ter certeza de que não foi um erro de simulação.
LHS 1140b. Esse é o nome do mundo.
Encontrado há dez anos. Maior que a Terra, mas semelhante em construção. Vive na zona habitável. Você conhece esse termo. A tira Cachinhos Dourados. Nem muito quente, nem muito frio. O local onde a água líquida poderia realmente permanecer líquida. Onde a vida como a conhecemos pode abrir um bilhete.
“Uma atmosfera é essencial para um planeta sustentar a vida como a conhecemos”, diz Collin Cherubim, de Harvard. Ele liderou o ataque nisso. “Esta é a primeira vez que alguém encontra um em um mundo rochoso lá fora.”
Grande declaração. Implicações ainda maiores.
Durante anos nem tínhamos certeza da existência de planetas como a Terra. Estávamos pescando em águas escuras, sem radar. Agora sabemos que eles estão por toda parte. Comum, na verdade. Mas as pedras não ajudam. Não sozinho. Você precisa de ar. Um cobertor de gás. Proteção.
Até este estudo? Não sabíamos se esses gêmeos terrestres mantinham suas atmosferas. A gravidade luta um longo jogo contra o vento estelar. Achamos que alguns sim. Agora temos provas de que pelo menos um ganhou.
Pegando os fugitivos
Hélio é a pista.
Modelos teóricos diziam que o LHS 1140 deveria ter uma atmosfera superior rica em hélio. Este gás é leve. Ele escapa. Ele flutua lentamente para o espaço, como vapor saindo de uma xícara quebrada.
Cientistas no Chile observaram essa fuga. Eles usaram o Observatório Magalhães e um instrumento chamado WINERED (Warm Infrared Echelle). Eles não olharam para a superfície. Eles não olharam para as nuvens mais baixas. Eles olhavam para o alto.
E aí estava. O sinal de hélio. Fraco, mas inegável.
“Foi uma evidência clara”, disse Shreyas Vissapracada, de Harvard. Ele observou os dados chegarem durante o trânsito. “Foi uma emoção absoluta. Os espectros de trânsito revelaram lentamente as implicações.”
Os astrônomos costumavam procurar por quedas sutis na luz quando um planeta cruzava sua estrela. Isso fala sobre a baixa atmosfera. É um trabalho árduo. Muitas vezes leva à decepção. Planetas pequenos e rochosos são escuros. Suas sombras são pequenas. Os sinais estão enterrados no ruído.
Esta equipe deu um chute diferente. Eles caçaram o vazamento. O escapamento da atmosfera do planeta.
É um mundo estável?
Então o hélio está lá. Está escapando. Mas o que isso significa?
Aqui está a parte complicada. Esta é uma atmosfera estável como a da Terra, vazando pedaços constantemente ao longo do tempo? Ou é uma rocha morta com o selo quebrado? Talvez um mundo árido que ocasionalmente expele gás apenas para desaparecer instantaneamente no vazio.
“É uma rocha nua… ou existe uma atmosfera em estado estacionário que vaza coisas como a Terra faz?” pergunta Jason Dittman, da Universidade da Flórida. Ele encontrou o planeta anos atrás. Agora ele está observando respirar.
A resposta requer olhos melhores. O Telescópio Espacial James Webb (JWST) examinará mais profundamente nos próximos anos. A caça se transforma em vapor d’água. Encontrar água no ar? Isso sugere um cobertor grosso e estável. Não encontrou nada além de escapar do hélio? Talvez apenas uma rocha solitária e seca.
O artigo caiu em Science. O título diz tudo. Hélio escapando de um exoplaneta rochoso próximo.
Estamos um passo mais perto. Um passo gigante e assustador. O universo está cheio de mundos semelhantes à Terra. Mas serão rochas vazias à espera da erosão? Ou são lugares com céu e clima?
Não teremos certeza ainda.
